Para o Rumo ao Riso, oferecer presença, acolhimento e espaço para que cada pessoa possa se expressar também faz parte da humanização hospitalar
Durante o mês de setembro, monumentos, campanhas e diferentes iniciativas ganham a cor amarela para chamar a atenção da sociedade para a valorização da vida e a prevenção do suicídio. Entretanto, o cuidado com a saúde mental não pode ficar restrito a uma data ou a apenas um mês do calendário. Ele precisa estar presente durante todo o ano.
O sofrimento emocional nem sempre é visível. Muitas pessoas continuam cumprindo seus compromissos, trabalhando, estudando e convivendo com familiares enquanto enfrentam, silenciosamente, momentos de profunda angústia. Por isso, observar mudanças de comportamento, demonstrar disponibilidade e acolher sem julgamentos são atitudes importantes.
Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo e pode envolver diferentes fatores. Reconhecer sinais de alerta e ajudar a pessoa a procurar apoio adequado pode representar um passo fundamental para a prevenção. Porém, acolher não significa ter todas as respostas. Em muitos momentos, o que a pessoa mais necessita é encontrar alguém disposto a ouvi-la verdadeiramente.
Escutar também é cuidar
A escuta é uma das principais ferramentas utilizadas pela equipe do Rumo ao Riso durante suas atividades de humanização hospitalar. Embora o projeto seja conhecido por levar humor, música, palhaçaria e momentos de leveza aos hospitais, o trabalho desenvolvido vai muito além de provocar sorrisos.
Antes de qualquer brincadeira, existe a observação. Antes de qualquer música, existe o respeito. E, muitas vezes, antes do riso, existe uma história que precisa ser ouvida.
Durante as visitas, os risoterapeutas encontram pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde vivendo diferentes emoções. Há quem queira cantar, brincar e conversar. Há também quem queira apenas dividir uma lembrança, falar sobre seus medos ou permanecer alguns minutos em silêncio ao lado de alguém.
A equipe entende que cada pessoa possui necessidades diferentes. Por isso, a escuta atenta e respeitosa orienta cada encontro. O objetivo não é obrigar ninguém a sorrir ou tentar esconder a dor, mas oferecer presença, acolhimento e um espaço seguro para que as emoções possam existir.
Em algumas situações, uma conversa aparentemente simples pode representar um momento importante de conexão. Ser chamado pelo nome, perceber que alguém demonstrou interesse por sua história ou sentir que seus sentimentos foram respeitados pode tornar a experiência hospitalar mais humana.
O cuidado não termina em setembro
O Setembro Amarelo amplia uma conversa necessária, mas a atenção precisa continuar em outubro, novembro, dezembro e em todos os outros meses. A prevenção também acontece nas relações cotidianas, quando perguntamos como alguém está e permanecemos disponíveis para ouvir a resposta com interesse verdadeiro.
Frases prontas, comparações e julgamentos podem afastar quem está sofrendo. A escuta acolhedora, por outro lado, permite que a pessoa fale no próprio tempo e perceba que não está sozinha. Também é importante incentivar a busca por acompanhamento de profissionais da saúde mental sempre que necessário.
O trabalho de humanização realizado pelo Rumo ao Riso não substitui atendimento psicológico, psiquiátrico ou qualquer outro cuidado especializado. Ele atua de forma complementar, criando momentos de vínculo, afeto, respeito e acolhimento dentro do ambiente hospitalar.
Neste Setembro Amarelo, o Rumo ao Riso reforça uma mensagem que orienta suas ações ao longo de todo o ano: rir pode aliviar um momento, mas escutar pode abrir caminhos para que alguém se sinta visto, respeitado e acolhido.
Que possamos aprender a ouvir com mais atenção, oferecer ajuda sem julgamentos e compreender que cuidar da vida é uma responsabilidade permanente.
Se você estiver passando por um momento de sofrimento emocional, procure ajuda de familiares, pessoas de confiança ou profissionais de saúde. O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia em todo o Brasil. Também é possível acessar o atendimento pelo site do CVV. Em situações de emergência, procure imediatamente um serviço de saúde.



